Mãe: não quero ensombrar o teu dia, assombrar o dia que para ti fizeram os fazedores comerciais de dias. O teu dia é, apesar de tudo, um dia justo, um dia que tu mereces infinitamente, muito além do comércio de merecimentos em que nos tornámos peritos e agiotas. Não quero negar-te as flores da justiça que para ti eu acho justas: as flores que nascem dos teus dedos quando plantas jardins no meu olhar.
Mas hoje deixa-me falar-te do mundo, mãe, e das desditas do mundo que as datas não compreendem nem comportam [não, mãe, não é do mundo impecável das datas que quero falar-te, do mundo afixado na parede, científico e neutro]. É do mundo mesmo que quero falar-te: do mundo em que todos giramos a uma velocidade constante e segundo uma inclinação necessária. Rodamos no mesmo sentido e tão desencontrados, mãe! É desse mundo que nos foi dado e nos corre nas veias que quero falar-te.
Quero dizer-te um segredo que eu pensei: reparaste nos joelhos famintos que fazem um H, que ligam pelo meio as duas colunas das pernas? São meus, mãe, são os meus joelhos, as minhas pernas de Homem que porventura nunca serei. Estou ao teu lado e por detrás de ti. As mãos pesam-me como se houvesse um mundo suspenso em cada uma delas. Não podes ver os meus olhos, mas eu vou dizer-te: olham na mesma direcção dos teus e, como os teus, são de gelatina e brometo de prata. Sim, mãe, é essa a nossa composição química para esta data que para ti fizeram os fazedores de datas. Somos figuras sem nome duma fotografia premiada, a câmara escura onde ousamos pensar o mundo em segredo.
Os fazedores de datas fizeram-te uma data e eu estou contente, apesar de tudo. Se eu te dissesse que me apetece chorar, não ficarias surpreendida. Mas não chorarei, mãe, porque tenho umas mãos grandes, com um mundo suspenso em cada uma delas. São grandes, mãe, e têm a articulação necessária para colher as flores que tu mereces. Não chorarei, não me apetece chorar o mundo. O que eu quero nesta data que para ti fizeram os fazedores de datas, sabes o que é? O que eu quero é mudar o mundo, mãe
Título: Carta a minha mãe sobre um segredo que eu pensei
Nuno Higino
domingo, 1 de maio de 2011
domingo, 10 de abril de 2011
domingo, 3 de abril de 2011
quinta-feira, 31 de março de 2011
sexta-feira, 25 de março de 2011
O cartaz da minha escola
À semelhança dos anos anteriores foi promovido, no âmbito da Semana da Leitura, um Concurso que apelava à imaginação e a um conjunto muito diversificado de competências enraizadas na transversalidade curricular. Este ano, teve como produto final a criação e apresentação a concurso de um cartaz, que, tal como a 5ª edição da Semana da Leitura, se centrou na relação Leitura - Energia - Floresta.
A concurso pelo agrupamento de escolas de Celeirós foram enviados os cartazes que
a seguir se divulgam.
Cartaz elaborado pelo 5ºA
Cartaz elaborado pelo 9º E
A concurso pelo agrupamento de escolas de Celeirós foram enviados os cartazes que
a seguir se divulgam.
Cartaz elaborado pelo 5ºA
Cartaz elaborado pelo 9º E
domingo, 20 de março de 2011
sexta-feira, 18 de março de 2011
quinta-feira, 17 de março de 2011
A todos os pais...
As tuas mãos tem grossas veias como cordas azuis
sobre um fundo de manchas já cor de terra
— como são belas as tuas mãos —
pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram
na nobre cólera dos justos...
Porque há nas tuas mãos, meu velho pai,
essa beleza que se chama simplesmente vida.
E, ao entardecer, quando elas repousam
nos braços da tua cadeira predileta,
uma luz parece vir de dentro delas...
Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente,
vieste alimentando na terrível solidão do mundo,
como quem junta uns gravetos e tenta acendê-los contra o vento?
Ah, Como os fizeste arder, fulgir,
com o milagre das tuas mãos.
E é, ainda, a vida
que transfigura das tuas mãos nodosas...
essa chama de vida — que transcende a própria vida...
e que os Anjos, um dia, chamarão de alma...
Mário Quintana
sobre um fundo de manchas já cor de terra
— como são belas as tuas mãos —
pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram
na nobre cólera dos justos...
Porque há nas tuas mãos, meu velho pai,
essa beleza que se chama simplesmente vida.
E, ao entardecer, quando elas repousam
nos braços da tua cadeira predileta,
uma luz parece vir de dentro delas...
Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente,
vieste alimentando na terrível solidão do mundo,
como quem junta uns gravetos e tenta acendê-los contra o vento?
Ah, Como os fizeste arder, fulgir,
com o milagre das tuas mãos.
E é, ainda, a vida
que transfigura das tuas mãos nodosas...
essa chama de vida — que transcende a própria vida...
e que os Anjos, um dia, chamarão de alma...
Mário Quintana
sábado, 12 de março de 2011
sábado, 5 de março de 2011
quinta-feira, 3 de março de 2011
As árvores e os livros a propósito do dia do PROSEPE ...
As árvores como os livros têm folhas
e margens lisas ou recortadas
e capas (isto é copas) e capítulos
de flores e letras de oiro nas lombadas
E são histórias de reis, histórias de fadas,
as mais fantásticas aventuras,
que se podem ler nas suas páginas,
no pecíolo, no limbo nas nervuras.
As florestas são imensas bibliotecas,
e até há florestas especializadas,
com faias, bétulas e um letreiro
a dizer: «Floresta das zonas temperadas».
É evidente que não podes plantar
no teu quarto, plátanos ou azinheiras.
Para começar a construir uma biblioteca,
basta um vaso de sardinheiras.
Jorge Sousa Braga AS ÁRVORES E OS LIVROS
e margens lisas ou recortadas
e capas (isto é copas) e capítulos
de flores e letras de oiro nas lombadas
E são histórias de reis, histórias de fadas,
as mais fantásticas aventuras,
que se podem ler nas suas páginas,
no pecíolo, no limbo nas nervuras.
As florestas são imensas bibliotecas,
e até há florestas especializadas,
com faias, bétulas e um letreiro
a dizer: «Floresta das zonas temperadas».
É evidente que não podes plantar
no teu quarto, plátanos ou azinheiras.
Para começar a construir uma biblioteca,
basta um vaso de sardinheiras.
Jorge Sousa Braga AS ÁRVORES E OS LIVROS
quarta-feira, 2 de março de 2011
terça-feira, 1 de março de 2011
Semana da Leitura
O Plano Nacional de Leitura (PNL) terá, durante esta semana, um grande envolvimento em torno dos livros e da leitura. Os alunos, professores, encarregados de educação e convidados envolvidos nestas actividades darão mais cor, vida e entusiasmo ao PNL. Assim, contamos com poesia cantada e musicada, visitas à Feira do Livro e às exposições relacionadas com as obras do PNL (máscaras, telas, ilustrações…), biografias de autores de várias nacionalidades, “A Viagem do Elefante”, de Saramago na expressão plástica, Escrita Criativa, subordinada ao tema “A árvore dos rebuçados”, de Rosário Alçada Araújo, Histórias Mágicas na Rádio Escola, teatro (A Educação Sexual na Escola, nos Prós e Contra, e “O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá” de Jorge Amado, com Sombras Chinesas), Ondas de Leitura e o Poema de Mão em Mão, encontro com autores de expressão portuguesa, Vergílio Alberto Vieira e Sandra Pinto, contos e recontos, curtas-metragens, LER com…
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